5 de ago de 2013

4.500 plantas cobrem casa em Lisboa

Cômodos são banhados por diferentes perfumes

Habitantes de cidades grandes estão sempre chorando as mágoas de viverem distantes do verde. Alegam que é preciso investir em terrenos grandes para cultivar um jardim e escapar do inexorável concreto que a urbe lhes impõe. Mas isso não é bem verdade.
Eis o exemplo prático: uma casa lisboeta composta por três andares e um terraço na cobertura que devota sua fachada à flora. Ao todo, há ali mais de 4.500 plantas, de 25 espécies diferentes – todas naturais das regiões ibéricas e mediterrâneas. Efetivamente, são 100 m² recobertos pela natureza. Ora pois, um jardim vertical.
Tal solução charmosa e ecologicamente correta surgiu de um esforço conjunto dos profissionais locais Luís Rebelo de Andrade, Tiago Rebelo de Andrade e Manuel Cachão Tojal. A casa de 248 m² tem no térreo as áreas de serviço e a garagem; no andar intermediário, os dormitórios; e no pavimento superior a ala social, que se liga ao terraço. A ideia era estimular a convivência em família na parte mais alta da construção. Isso porque, aos olhos dos arquitetos, a cobertura é o ponto mais especial da residência.
Ali estão lado a lado um deque de madeira e uma piscina de uma raia. Ambos os elementos vão de extremo a extremo da casa, apresentando-se finos e longos. Embora a configuração da área de lazer seja pouco convencional, pode-se estar certo: sobra espaço para conviver, aproveitar o sol e contemplar a cidade. Sobre o abrigo das benditas plantinhas.
A linearidade é um ponto importante deste lar. As escadas, por exemplo, reiteram a lógica das linhas retas perpetuas. Seu desenho foi inspirado nas escadarias de Alfama, a província mais antiga de Lisboa, que tem relevo do terreno ascendente. Assim, é possível ir da porta de entrada ao terraço sem mudar o sentido da subida. Trata-se de uma grande escadaria com patamares de descanso a cada novo piso.
Essa solução, além de otimizar a circulação, propicia um banho de iluminação natural em todos os pisos – indo da cobertura, até o ponto mais baixo da casa. O efeito visual é incrível.
Do lado de fora, a intenção estética era simples: “quisemos que a casa parecesse uma árvore”. Por isso, a construção tem como acabamento no térreo a madeira, e o verde acima. O projeto paisagístico é da firma Adn-Garden Desing – e eles garantem que não será complicado fazer a manutenção do jardim vertical.
Por fim, cabe ressaltar uma qualidade sensorial rara nas moradas urbanas: a casa oferece perfumes variados. Os responsáveis pelo paisagismo contam que da piscina sente-se cheiro de açafrão, no quarto, chega o frescor da lavanda, e a sala de estar mergulha-se em odor de alecrim. Afinal, tanto verde parece só causar bem.

Fonte: http://casavogue.globo.com

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